Tomeu
Eles não eram irmãos, nem parentes, nem amigos. Aliás, sequer se conheciam. Tomeu morava em São Paulo e Jack na Pensilvânia. Mas tudo que acontecia, de relevante, com um, doze horas depois acontecia com o outro, sem que houvesse qualquer explicação para tal. Completamente diferentes, só havia uma única coisa em comum entre os dois: Creuza, uma amiga e confidente, de Belo Horizonte, que ambos conheceram na Internet, num espaço de doze horas. Ela era dessas pessoas apaixonadas, que se aproximam caladas do amado e se fazem de amigas apenas para poder estar perto. Nunca contam que amam e ouvem sofrendo os casos amorosos dos parceiros platônicos. Ficam íntimas e carregam a cruz, credo! Ainda por cima, ela caiu em desgraça ao se apaixonar pelos dois, num intervalo de apenas doze horas! Pois foi justamente Creuza que percebeu as coincidências. Um dia Jack quebrou quatro costelas, caindo do telhado. Tomeu também quebrou quatro costelas, as mesmas costelas!, doze horas mais tarde, numa briga da torcida do Palmeiras. Essa foi a primeira que ela observou. Nasceu o filho de um, doze horas além nasceu o filho do outro. Veio filha lá, outra filha cá. Quando se separaram das mulheres, a mesma coisa. Morreu a mãe, mais coincidência, um monte delas! Um dia lá, Creuza ligou desesperada para a Pensilvânia:
- Jack, pelo amor de deus, Jack, Tomeu tomou!