Carnaval

A água rasgava o céu
Encharcando o solo
Os homens queriam passar
Rosnar em aventuras
Chegar mais rápido
Ou talvez nem chegar
O tempo é precioso
E a raiva não cede ao perigo

Paramos num bar
Da beira da estrada
Olhamos o barro crescendo
Marolas no asfalto
Gastamos humor
Sofremos de tédio
Perdemos dinheiro
Passando os minutos no chope

O Carnaval já batia
No peito das outras pessoas
Essa chuva teimosa
Cravava seus dentes molhados
Na nossa vontade de ir
Esperar pelo acaso parasse
Na certeza de que chegaria
O sabor de sair dessa fila

Nunca chove mais que o dilúvio
A gente sabe que pode esperar
Mesmo que a festa seja anual
Que o Sol se recupere das nuvens
Ou que nunca evaporem os buracos
Então falamos de hoje
E dançamos por dentro
Onde o sangue pode regar

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