Ainda existem árvores
A gente também
Somos dez vezes mais velhos
Porque não cuidaram de tudo
Sabemos de zil idiomas
Complicados demais para a idade
O Dólar nos faz a cabeça
Compramos iates de frutas
Comemos mansões de legumes
Bebemos licores foguetes
Ao som da lua de Plutão
Nosso lar dividido com a TV
Preferindo um humor espontâneo
Mas cada voto não vale por todos
Vivemos num medo aidético
Crescendo entre roubos e assaltos
Esperando o melhor dos Fla-Flus
Sonhando com sexo em dobro
Ganhando o filé mais mugindo
Dançando em qualquer Rockn Roll
Sofrendo a camada de ozônio
Gastando o spray mais barato
Nadando em dinheiro roubado
Esquecendo de replantar
Exterminando todos os rios
Enlouquecendo o oxigênio
Quem vai herdar tudo isso
Não nos pode algemar
Não importa que vivam em espaçonaves
É mais fácil ir a Zitônio
Do que dividir nosso sangue
Nosso lar não sabe gritar
E os vizinhos não nos ouvem
As formigas são organizadas
Mas não escrevem manuais
Japoneses esperam por deus
Que pode azeitar a garganta
Pra gente ganhar do dilúvio
Sem a arca e sem planos
Quem vai herdar tudo isso
Não nos pode algemar