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Tolerância Zero |
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15-Abr-2006 |
Gosto de abrir um jornal e encontrar a abordagem de temas urgentes, como a agonia dos rios, carência na educação, ou a tão badalada Corrupção. Mas gosto só quando esses temas são tratados fora dos noticiários, que geralmente são travestidos. É bom perceber que existe esperança em algumas pessoas, mesmo enquanto outras assistem o caos na mais absoluta inércia, ou pondo lenha na fogueira. No dia 24 de setembro do ano passado, havia uma coluna sobre "Corrupção Zero", na edição 06 de outro jornal desta cidade. Especulava que houvesse um dia anual de "Corrupção Zero", mostrava os benefícios que isso nos traria, com lógicas e números fabulosos. Certamente isso é uma utopia, mesmo que fosse tão somente por um dia, porém devemos lutar pelas utopias, somente assim poderemos nos aproximar delas. Não creio que exista "Corrupção Zero" entre os homens em lugar nenhum deste planeta, talvez nem nas tribos mais distantes e selvagens, tampouco entre os esquimós. Capaz que um náufrago solitário em uma ilha deserta conseguisse, enquanto não chegasse o navio salvador.
Fala-se muito dos corruptos de momento, cita-se nomes, porém isso não é uma novidade, não é sequer considerável, é unicamente o assunto em pauta, ganhando relevância porque a população não exerceu o seu direito de cobrança há mais tempo. Se estamos pensando em termos de Brasil, precisamos entender que a corrupção vem crescendo paulatinamente há séculos, aceleradamente nas últimas décadas. Afinal, aprenderam novos métodos de confisco, ultraje, despotismo e loterias invencíveis. Durante a história da humanidade, sacos foram guardados nas cuecas, porém não de dinheiro. Talvez essa tenha sido a única mudança dos últimos tempos. Bom, não importa darmos nomes aos burros, é preciso reeducar todo mundo. "Corrupção Zero" não é possível para um dia anual apenas, então a nossa campanha tem que ser por "Corrupção Zero Sempre".
A "Corrupção Zero" inicia-se a partir de pequenas atitudes. Exemplos? Não subornar o garotinho: "se você fizer o dever de casa, papai compra jujuba". Não pagar propina ao guarda. É o cidadão não se beneficiar de uma aposentadoria fantasma. Devolver o dinheiro, caso o comerciante retorne troco a maior. É, sobretudo, uma questão de "Tolerância Zero", aprender a discernir um caráter exemplar e lapidá-lo, em busca da utopia. Não é fácil.
A utopia não existe porque depende de uma grande quantidade de pessoas, entretanto há muitos sonhando com ela. Pois estes devem lutar para que se possa ter um resultado mais próximo possível de uma utopia coletiva. Seria cada um fazendo a sua parte, não se deixando influenciar pelos outros, que jogam contra sim. O objetivo é que se consiga vencer essa utopia entupida.