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Maracanã de Craque e Cartola |
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Jan/2008 |
Cada bairro tem a sua marca. Pensou em Tijuca, vem à mente a Praça Sães Peña. Vila Isabel? Noel, 28 de Setembro e o Petisco. Maracanã? Claro, o velho estádio.
O Maraca, depois de pronto, sempre foi o templo sagrado do futebol. Ainda lembro da emoção inenarrável que senti ao pisar pela primeira vez na arquibancada, em 1964, para ver o “meu time” ser campeão. Quanto orgulho! Aquilo parecia um sonho, tudo era colossal. Aquele guri, que eu nunca mais seria, estava experimentando uma plenitude de felicidade ocasional. Os torcedores já eram rivais e apaixonados, porém não gladiadores.
Durante mais de duas décadas (até, precisamente, 1987), freqüentei vários estádios do Rio, São Paulo e Minas. Então eu percebi o momento do “chega!”, porque a violência periférica tomava proporções incontroláveis e independentes da nossa vontade. Passei, pois, a assistir jogos pela TV, quando possível. Agora isso é fácil, quase banal, mas naquela época transmissão de futebol era uma raridade e minha decisão radical me privou de acompanhar os campeonatos como eu gostaria durante um bom tempo.
Hoje vemos gangues, que se auto-denominam “torcidas”, combinando batalhas mortais até pela Internet. Como se a vida fosse um estúpido videogame sangrento.
Todos são mercenários! Os jogadores, dirigentes, empresários, a imprensa e os gandulas. A paixão parece burra!
O velho Maraca está todo bonitão de roupa nova (que eu só vi pela TV), mas do que a gente poderia se orgulhar? Os craques foram embora. Quem é a bola? Que botão devo apertar? TV digital voa? Quem me ajuda?