Demolição Impiedosa

Publicado na edição de Set/2007 do jornal Trânsito Livre - Tijuca

Set/2007

Havia muitos cinemas nas redondezas da Sães Peña, porém alguns eram majestosos!

A TV era P&B, não se via desenhos animados com a constância que se conhece agora. O Metro Tijuca promovia o festival Tom & Jerry, todo primeiro domingo do mês. Os pobres pais eram quase que obrigados a levarem seus anjinhos naquela algazarra mensal. A criançada aplaudia, delirava entre um desenho e outro, ou durante. Eventualmente ocorria alguma guerra de pipocas ou jujubas. Parecia um Maracanã de ingenuidade e plena diversão, uma gritaria angelical! Ou infernal, sabe lá...

Além do Metro Tijuca, que realmente era especial, o Odeon, Art Palácio, América e Carioca ostentavam arquiteturas invejáveis. Outros, no entanto, eram apenas cinemas: paredes, cadeiras e um telão. Talvez porque estes representassem a modernidade se aflorando. Em todos, circulava a figura do lendário “lanterninha”.

Nenhum único deles sobreviveu: um virou igreja e os demais foram transformados em lojas. E obras arquitetônicas esplendorosas foram aniquiladas.

Antes da destruição, praticamente não havia shoppings, as borboletas não tinham AIDS e os presidentes não rotulavam os aposentados de vagabundos. 

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

Página Principal de Pristópolis - abre novo browser