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Acordes |
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Dez/2007 |
Sou nascido e criado em Vila Isabel. Portanto, já nasci músico e boêmio, vem na veia de quem é do bairro. Herdeiro de Noel. Meus primeiros acordes foram incentivados pela saudosa Mamãe Prista. Eu era bebê, dormia o tempo todo e ela repetia, carinhosamente, em seu português casto:
- Filho, quero que acordes! Quero que acordes, quero que acordes...
Então ela me jogava na parede e eu acordava.
Aos seis anos de idade, fui obrigado a estudar acordeom. Percebeu? Não? Acorde On. English! Ganhei um Mascarenhas de 120 baixos, que pesava uns três e meio Jô Soares. Eu odiava aquilo! Acho que era algo Acorde Off. E os coleguinhas me colocaram um apelido. Eu retrucava, com as veias do pescoço estufadas: “sanfoneiro é o cacete!” Em seguida, invariavelmente, surgia o coro:
- Sanfoneiro, sanfoneiro, sanfoneiro...
Assim, enfurecido, abandonei uma promissora carreira de... de... Sanfoneiro.
A partir dos 14 anos, por vontade própria, passei a tocar alguns instrumentos: violão, guitarra, baixo, bandolim, cavaquinho... Dizem que de ouvido, mas juro que sempre usei os dedos. Na verdade, o objetivo principal era compor, foram mais de 600 músicas, mas nunca fiz o sucesso desejado. Conclui-se que talvez seja melhor esquecer os acordes e voltar a dormir o tempo todo...