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Sapato de Verniz |
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Jul/2007 |
O colégio Dois de Dezembro, onde eu estudava, não existe mais. Nem o sapateiro da Lucídio Lago, que confeccionou os dois únicos pares sob medida da minha vida, ambos de verniz. De verniz! Pode? Mas era moda... A igreja Coração de Maria me parece a mesma, igualzinha. A rua, do mesmo nome, abrigava minha amada Líria Alves em algum lugar. Às vezes eu caminhava por ali, na esperança de encontrá-la ao acaso, o que jamais aconteceu fora da escola. Ela nunca soube do meu amor platônico.
Não há mais o imponente Imperator, ou a Mesbla, hidrantes ou sobrados. Nem o "Chopps do Méier" (algo de passado bem mais recente), onde eu fiz meu show "Culinária Maluca" em 1991. Parece que tudo vai sendo substituído por prédios modernos e balas perdidas.
Exceto meu amor por Líria Alves, que sempre foi puro e digno dos sonhos. Porque não se consumou, porque não se perverteu ou agonizou em outros sentimentos egoístas. Pudera! O máximo que o meu ego machista conseguia era abraçar meu travesseiro, espremer algumas espinhas e imaginar um beijo apaixonado, quiçá com uma vassoura ou enceradeira.
Já se foram quase 40 anos! A moça escapou de mim e agora eu uso vassoura e enceradeira somente da maneira convencional.