Mar no Méier

Publicado na edição de Set/2007 no jornal Trânsito Livre - Méier

Set/2007

A gente gosta de praia, mar, mas não no Méier! Isso significaria que o centro da cidade, Maracanã, Vila Isabel, São Cristóvão, Engenho Novo, tudo estaria alagado! Se todos os moradores desses lugares fossem argentinos, tudo bem, nada melhor do que ver argentinos desesperados, mas não são. Portanto, nada de praia no Méier.

Assim sendo, é preciso encarar um 455, 456 ou 457 da vida para se chegar, por exemplo, em Copacabana. Levando barraca, prancha, farofa e cotonetes. E o mundo inteiro dizendo: “suburbano!”, bem na nossa cara. Ou, o que é pior, no cangote. Programa de índio. Pobre é um caso sério! Debocha de quem vai se divertir, mas vai para o trabalho na mesma condução.

A gente gosta de praia, mar, mas não de ônibus. Muito menos de argentinos. Pode acontecer um solavanco para espalhar a farofa, ou uma prancha na nuca, ou onde diabos se enfia os cotonetes? Isso se não rolar um barraco, quiçá porque o piercing da gatinha engatou na dentadura da vovó de algum estressado armado de tacape! E suburbano é o cacete! Um vendedor de qualquer coisa veio se desculpar por interromper o silêncio da sua viagem. O surfista aproveitou a interrupção e gritou: “agora, todo mundo nu!” Quem vai se divertir nessa mesma condução? 

Era Carnaval. O Bloco das Piranhas desfilava ao lado, cantando: “au, au, au, o boquete é um Real!”

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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