Beijocas Inexperientes

Publicado na edição de Dez/2007 no jornal Trânsito Livre - Méier

Dez/2007

A rua Camarista Méier esconde uma vila, onde foi o palco de fases evolutivas ou conturbadas de um adolescente típico das décadas 60 e 70.

Pois lá ele jogava bola, andava de bicicleta, soltava pipa e estudava apenas quando estava em recuperação. Tímido feito uma ostra, surgiu uma oportunidade fortuita. Então ele beijou muito a bela Maria, que era a vizinha da casa 3, já mulher, e que tinha um namorado com bem mais de 30. Essa aventura rendeu-lhe algumas ameaças não consumadas, pois o amante oficial havia tido conhecimento do caso, porém não teve coragem de bater num guri. Um homem feito ter um rival de 15 não é das coisas mais agradáveis, né? Mas com Maria nem rolou sexo, somente beijocas inexperientes. O garoto não sabia direito nem onde deveria por a língua. Na verdade, experimentou na orelha! Dela, claro. Achou azeda. Apalpava aqueles seios, por cima da blusa, como se estivesse descascando tangerinas!

A história mais forte guardada na vila foi trágica. O rapaz drogado, morador da casa 6, assassinou brutalmente a própria mãe! Isso aconteceu há 40 anos, quando a violência ainda engatinhava e praticamente ninguém consumia drogas. Foi preso, que vexame! Atualmente seria fichinha. Ou bichinha? Sei lá, só nuança. Ninguém mais se sente melindrado por ir em cana. 

A rua Camarista Méier não é famosa, muito menos o assassino drogado, ou o velho chato no qual se tornou aquele adolescente da língua boba. A vila continua lá mesmo. Talvez Maria seja um monte de pelancas e estima-se que o corno tenha morrido recentemente. Este agora realmente tem razões de sobra para ter minhocas na cabeça...

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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