olha o tamanho do A

Publicado na edição 112 do jornal Estado do Rio Noticias

17-Nov-2007

- Ele foi preso em flagrante, crime inafiançável.

- E qual é a acusação? 

- Quer pensar.

- Isso é grave! Todos nós sabemos que, hoje em dia, a plebe não pode mais pensar, é absolutamente proibido, apesar de não estar escrito nas leis. As músicas, a TV, as propagandas...

- Pois é, o cara gosta de Chico Buarque, Ivan Lins, Caetano, Gil, até do ministro!, pode? Fica cantando essas coisas e pedindo para outros pensarem. Faz apologia ao teatro, declama poesias, sugere que briguem pelos seus direitos, quer que todos leiam, sujeito subversivo!

- Bom trabalho! Mantenham-no encarcerado e incomunicável.

A única criatura que não tem mais direitos “humanos” é o ser pensante, embora esteja em extinção, não é protegido nem pelo IBAMA! Ele poderia atrapalhar planos insofismáveis (oh, céus, peguem o dicionário!) e causar prejuízos mortais. Literalmente!

Levaram-no a interrogatório.

- Bom dia!

- Bundinha. 

- Que resposta é essa?

- Estou apenas falando a linguagem que vocês ensinam às pessoas. 

- O senhor é muito insolente!

- Sai do chão, shap-shap-shap-shap... 

- Filho da puta!

- Rede Lobo, aqui tem educação!

- Tá bom, eu estou calmo, não vamos nos exaltar. O que exatamente o senhor pretende?

- Se vocês me deixarem sair daqui, fazer sucesso, convencendo alguém no aquário que o Fagner “quisera ser um peixe”... 

Ao pensarmos se as coisas poderiam piorar, responderíamos que sim. O ser humano é muito criativo, a lástima é que, atualmente, só se aproveitam os bagaços.

Os “Laranjas” querem lucros. Os bagaços são como carruagens, que viram abóboras. As coisas são coadjuvantes, dependentes da publicidade. O ser pensante é tão bem vindo quanto um tamanduá em uma galeria de cristais.

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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