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Terra |
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14-Jul-2007 |
Vejo as pessoas agonizando. O mundo ficou cheio de regulamentos e os poucos privilegiados são os únicos que vivem com prazer. Os recursos ficaram escassos e o asfalto comeu os melhores sentimentos, sem maionese.
Não sei se ainda existem homens que não tenham documentos, onde vivem, de que se alimentam ou se poderiam sobreviver desse jeito. As nações tomam conta dos ratos que nasceram em cativeiro, exterminam os brigões e usam os demais em nome da ciência. Fingem que os esgotos estão tratados e as galerias subterrâneas são asseadas, onde pode-se até comer um pudim de chocolate no aniversário de Louis Lane! Dizem que não há roedores ameaçando a humanidade, até porque a maioria dos que ouvem a justificativa não percebe de onde vem a ameaça.
As cantadas originais estão cada vez mais raras, porque divulgam todas as outras na TV. O padrão é doutrinado e a família despida de valores, porque não há tempo a se perder com valores. Ninguém garante o futuro por ser médico, engenheiro ou advogado. O mundo tem muita gente e já existe muito disso por aí, médicos, engenheiros, advogados, um monte deles, competentes e incompetentes. O importante mesmo ficou sendo encontrar uma fonte de dinheiro qualquer, não importa que objetivos pessoais sejam sepultados. Ou se a honestidade passou a ser algo como duendes e Papai Noel.
Os amigos sempre foram raros, entretanto hoje estão quase extintos. A atenção não tem o valor do diamante e os segredos acabam muito mais íntimos, na verdade não são partilhados, morrem mudos e sufocados.
A cocaína e o homossexualismo encabeçam os prazeres que não devem ser experimentados. Mas há controvérsias. Armamentos variados são fabricados para atendimento à demanda ensandecida. Programas nucleares sigilosos e estratégicos ficam sem direção, pois não definem exatamente o que querem. Chegar a Plutão? Bombardear os Orientais? Acabar com as prostitutas?
O sol está chegando perto, a camada de ozônio vem perdendo a eficácia, alguns satélites podem se desgovernar a qualquer momento, a massa polar descongela aos poucos. Terremotos, vulcões, tornados, inundações e outras tempestades geram notícias, assim sendo, muita grana. Sabem disso. Querem desse jeito.
O medo de perder o emprego, da bala perdida, da traição, da solidão, de morrer, na dúvida, todos grudam a bunda na parede. É a política querendo propina, é o assalto na próxima esquina. O imposto provisório vira permanente. O preço do que se tem que comprar amanhã é sempre maior que o salário será. Ou um meteoro pode se chocar no planeta, sem aviso prévio, exatamente na sua cabeça.
Por isso tudo ficam carentes, descrentes, arredios, perplexos e hostis. As pessoas estão doentes, aglomeradas e sem perspectivas, mas fingem que está tudo bem, porque é social. Ao que me parece, o diabo de tudo isso é que o controle de natalidade ainda não interessa ao capitalismo...
Sei não, mas desconfio que estão escondendo alguma coisa na Eguinha Pocotó! A propósito: alguém aí sabe se Tutancamon usava camisinha?
João Prista