Tenda das Artes

Publicado na edição 080 do jornal Estado do Rio Noticias

21-Abr-2007

Freqüentemente, vejo artistas se queixando de que a classe artística não vale absolutamente nada! Alguns mais radicais não admitem relacionamentos de qualquer espécie com outros artistas, nem sexo.

Assim seriam os músicos, os atores, os escritores, pintores, escultores, os esquilos e todos mais.

Talvez assim seja o homem, quando se trata de concorrência, ou quando o assunto é competição. Aliás, afirmativas quase redundantes. O medo de perder, às vezes, acarreta que não se consiga vencer jamais. 

As pessoas não enxergam que podem se unir e que isto possa resultar uma fatia (pequena que seja) para cada um, porém para todos. Cada qual quer tudo para si, porque o ego é soberano. E porque o receio do vexame parece ser uma suposição de inferioridade do seu trabalho, da sua criatividade. 

Depois que ficam à mercê dos empresários inescrupulosos, percebem que a arte agoniza e o lixo é vendido, em seu lugar, a cântaros e impiedosamente. Choram! Rosnam. Eventualmente, numa crise mais violenta, comem um microfone! 

Nesse momento não há perspectivas de reação e a solução iminente passa a ser procurar por relacionamentos influentes, quando encontrados, geralmente regados de hipocrisia e 20%, ou mais.

Então, queixam-se de que os artistas são desunidos e de que não há remuneração razoável para a classe, só na Europa. 

Enquanto isso, a Hereditariedade Unida reina soberana e todos que fazem acordos ditos como "sensatos" enchem o rabo de dinheiro! No bom sentido, ou no bom sentado. 

Para a platéia, não há nada mais engraçado do que o fracasso de um artista em pleno palco. Para um artista, não há nada mais mortal do que o deboche da platéia. Para o empresário, não há nada melhor do que haja público, mesmo que seja para assistir qualquer porcaria. Para o público, hoje composto de "Fantoches" ("Marionetes" não seria um termo politicamente correto), não importa. Esse é o teatro atual.

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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