Sistema de Segurança

Publicado na edição 058 do jornal Estado do Rio Noticias

29-Set-2006

Bebi o 15o chope, ou 22o, ou 38o, acho que perdi um pouco a conta. Sei lá quantas pingas. Eu sou José, ou Pedro, ou Raquel, já não me lembro. O garçom safado tem cara de que vai me roubar. Mas eu me vingo, o banco sempre devolve o cheque, alegando que a assinatura não confere. Eu concordo, não confere. Este é o meu sistema de segurança. Claro que eu tenho certeza, esse vômito não é meu! Aquele guarda cretino cismou que eu estava bêbado. Por via das dúvidas, comi o bafômetro.

Minha esposa, muito vagabunda, me chama de bêbado; meus filhos me chamam, mas não acordo, nem ouço nada. Levantei a pálpebra, uma só. O dragão continuava bem ali, perguntando sorridente se já era hora de queimar minha sogra. Queria ver isso, radiante, mas os olhos não abriam, não os meus.

Levantei todo, dessa vez. Mentira, porque algumas partes não levantam mais. Era dia 17, ou 23, ou 25, sei lá quanto tempo dormi. Parece que os filhos estão na escola e a mulher no trabalho. Então não deve ser de noite. Um banho talvez possa ser perigoso, estou meio lerdo e posso escorregar, mas o bar já deve estar aberto. São apenas 60 passos, ou 200, ou 974, depende da escolha. O porteiro me cumprimenta: "bom dia, Seu Paulo Dago", mas eu não sei quem possa ser esse sujeito. Decerto não sou eu, não me chamo Paulo e o sobrenome é bastante esquisito.

Sou boêmio. Vai ver que estou ficando velho e, às vezes (muitas vezes!), não resisto à noitada. E acabo dormindo em qualquer lugar, pode ser na mesa, na cadeira, no ponto do ônibus, no mictório ou no chafariz. Quisera contratar uma moça, bela moça, para não me deixar dormir. Que fizesse isso de forma agradável. Apareceu uma, mas disse que iria enfiar a baioneta no meu fígado (somente no fígado, hem!), quando eu estivesse prestes a "apagar". Eu nem sei onde diabos fica o fígado, só que é do lado de dentro, mas nunca o vi. Sorte a minha! Baioneta? Será que era um soldado?

- Senhor! Senhor, vai pra casa! 

- De jeito nenhum, logo hoje que eu arranjei essa cantora maravilhosa! Ela está cantando pra mim...

- Senhor, vai pra casa, isso é um juke-box! 

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

Página Principal de Pristópolis - abre novo browser