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Simultaneamente |
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31-Mar-2007 |
Simultaneamente, ele falava de amor e ela falava de ódio. Não era um diálogo, eram dois monólogos. Aos berros! A situação foi ficando acirrada e a vizinhança chamou a polícia. Chegaram querendo pra pano, propano, na verdade propina, só que faltava argumento. Ele sustentava o amor, ela chispava ódio. Durante um pequeno descuido, o policial quase foi surpreendido por um beijo do amante (na boca) e resolveu levá-lo em cana.
Simultaneamente, o delegado assistia ao jogo do Corinthians e ouvia a ocorrência. Não era uma única imagem, duas ou mais, e balançavam, ou todos falavam ao mesmo tempo, talvez a autoridade tivesse bebido demais. Seu time tomou o gol de empate. “Prendam esse goleiro, maldito frangueiro!” e atirou o telefone numa barata, que subia a parede. Não obteve sucesso nessa primeira tentativa, então jogou a máquina de escrever, o que, além de esmagar o inseto, produziu uma cratera no revestimento. Em seguida, caiu exausto sobre o balcão, numa posição desagradável inclusive de se ver.
Simultaneamente, o banheiro estava ocupado e o cara detido fazia xixi nas calças. Por causa disso, o policial, instintivamente (ou distintivamente, sabe lá?), sentou-lhe o cassetete nas costelas, enquanto ela odiava a demora e o delegado, depois da ressurreição, comemorava a vitória do Coringão por 2 a 1, gol contra do goleiro adversário. O amor parecia vencido e o ódio não era ninguém.
Simultaneamente, todos foram pra casa, por falta de prévias, por falta de provas, porque os policiais não tiveram tempo de “plantar” aquilo ou um quilo de cocaína no apartamento.
Simultaneamente, o telefone tocou, a panela de pressão explodiu, a diarréia veio avassaladora e o cachorro pulou pela janela do vigésimo andar. Como é que se pode escrever desse jeito? Ninguém funciona assim tão concomitante...