Rogério Faustão

Publicado na edição 101 do jornal Estado do Rio Noticias

01-Set-2007

Diante do súbito falecimento de mais um amigo, sinto-me novamente impotente. Essa retórica teima em ficar cada vez mais constante, aguçando a percepção de que estou envelhecendo. Sei que isso vai se repetir a intervalos menores até que chegue a minha hora. Aquela pessoa não pode mais me dizer nada. As recordações são tristes agora, mesmo quanto aos momentos bons, por causa da certeza do nunca mais.

Ainda assim, de uma forma quase que melancólica, é extremamente gratificante saber que houve um amigo, porque não são todos que se vão portadores desse sentimento tão nobre. Fazendo um balanço, sempre que isso acontece acho que eu poderia ter feito melhor pelo saudoso. Mas já não há como ficar me desculpando e a vida é isso mesmo. De qualquer forma, eu sei que fiz quase o bastante, afinal amizade é uma reciprocidade e geralmente alguém vai embora primeiro, não se sabe quando.

Graças à incrível semelhança com o Faustão da TV, Rogério ganhou o apelido, depois acabou sendo entrevistado e fotografado diversas vezes por jornais de grande circulação. Não sei bem se duas ou três vezes, foi ao “Domingão”, fazer o papel de dublê do apresentador, em edições especiais de fim de ano. Numa delas a cena mostrava supostamente o mais famoso derrubado pelos canhoneiros da “Ponte do Rio que Cai”. Claro, assim pensavam os telespectadores, quem pagava aquele “micão” era o Rogério. Nessa primeira vez que apareceria na TV, a expectativa era enorme e ele não sabia o script. Comprou roupa nova e um sapato caro, apesar de ser um sujeito humilde (era garçom de restaurantes, em uma rede de franquias do Rio de Janeiro), estava feliz da vida com a novidade. Pois trocaram-lhe a roupa, para que vestisse uma da emissora, igual à que trajava naquele dia o verdadeiro Faustão, mas o sapato não escapou. Por ser edição especial, o tombo não era na piscina de sempre, mas em um lago barrento. Conclusão: o investimento dele foi bem maior que os míseros R$ 100,00 recebidos de cachê. Restou um sapato novinho estragado e eu gravei aquela lambança em videocassete (nem isso deram ao coitado), fita que ele exibia, todo orgulhoso, em todas as suas festividades. 

É dura a vida de dublê. Pobre amigo! Certa vez levou até bolo na cara, diante das câmeras. Ainda bem que o roteirista de ocasião jamais escolheu que um cavalo alado cagasse na cabeça do Fausto Silva!

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