Reciclando Desperdícios

Publicado na edição 113 do jornal Estado do Rio Noticias

24-Nov-2007

Analisando o princípio dos animais, para sobreviver o homem precisaria apenas comer e adubar. O resto a natureza faria.

Transformaram tanto nosso mundo que hoje já não é mais bem assim. Não ficaria decente adubar no asfalto, além do que não serviria para absolutamente nada: não é solo fértil e lá não cresceria nem sequer capim falsificado!

Via de regra, o ser humano não caça ou colhe seus alimentos. Estes lhe chegam “fabricados”, quase prontos. Para que isso seja possível, as pessoas trabalham em uma cadeia complexa, que abrange uma infinidade de regulamentos idealizados e ditados através de uma pirâmide hierárquica. Chamam essa coisa de “sistema”, que faz “funcionar” (???) cidades, zonas rurais, todos os lugares e povoados, inclusive o que sobrou dos índios.

Às necessidades básicas (Lembra? Comer e adubar.), estenderam-se várias outras: cultura, lazer, vestuário, moradia, transporte, conforto, luxo, etc. Claro, essas coisas não estão disponíveis às classes denominadas “inferiores”.

E, cada vez mais, alimenta-se o “monstro capital”, chamado “desperdício”. Curiosamente, tal monstro encontra-se presente quase que exclusivamente nas classes “superiores”, afinal os pobres consomem muito pouco.

Já parou para pensar na quantidade de material gasto em embalagens, quanto papel em publicidade, manuais, quanta energia para veicular e transportar toda essa tralha, enfim, tudo que, no final das contas, vai virar “lixo”? Extinguindo tantos recursos naturais, criam um cenário realmente pomposo!

Fala-se muito que é necessário reciclar todos os entulhos. Logicamente esta é uma medida urgente e imprescindível. Entretanto, no fundo dos costumes humanos, 90% do que se vai reciclar trata-se basicamente do desperdício. Da mesma forma, atividade de reciclar o desperdício seria outro desperdício, mostrando que o homem estaria prestes a inventar o moto-contínuo.

Chegamos, pois, a um ponto em que não sabemos mais viver sem o desperdício. Ainda assim, cada qual poderia cuidar que seu próprio desperdício ficasse reduzido a um nível menos prejudicial ao nosso agonizante planeta.

Seria também extremamente conveniente que surgisse uma coletividade (se preferir, uma “ONG”) que iniciasse a reciclagem paulatina dos homens. Reeducação através de novos hábitos! Não se pode querer que as pessoas voltem às origens e vivam apenas a comer e adubar, mas que alguma consciência de preservação da Terra fosse resgatada, nem que se tornasse terminante implantar um “chip de comandos” no que restou do cérebro!

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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