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Pírex Fecal |
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10-Nov-2007 |
Como diria Nana Dona Moça, meus textos, às vezes (este senão é por minha conta), “beiram à escatologia”. Desta vez vou caprichar! Afinal, é imprescindível repassar informações tão relevantes a todos que se possa. Solidariedade!
Minha filha menos jovem predileta, provavelmente, nunca viu um urinol, que era popular na época da minha avó. Ou, talvez, na Internet tenha visto alguma imagem, mas não pode pegar num.
Quando eu era adolescente, minha mãe guardava heroicamente um desses, de louça portuguesa, que era muito útil, eventualmente, quando se precisava coletar amostras de fezes para exame em laboratório. Havia um ritual que não convém explanar, porque ninguém merece!
Não sei onde diabos foi parar aquela relíquia, mas não foi minha herança. Eu sou um cara de sorte, porque herdar um pinico, aí mesmo, é que ninguém merece!
Urina não é tão difícil, apesar da mira não estar em dia e de não ser mais possível ver a “mangueira”, olhando de cima para baixo, resolve-se. Barrigudo é o cacete! Sou um pouco ondulado.
Sangue é fácil: a “vampira” se aproxima mui gentil, amarra aquela borracha no braço e brinca de tiro ao alvo com a minha veia, usando uma agulha que se parece com uma britadeira, mas eu sobrevivo.
O terceiro exame é mais desagradável do que formigas na cueca!
Há uns quatro anos, um laboratório da capital me forneceu, além do maldito potinho com a micro-pá, um plástico higienizado, de tamanho razoável, sobre o qual eu deveria depositar o material, se é que me faço entender.
Recentemente, o médico solicitou outro exame de fezes. Explicaram que seria necessário coletar detritos de três dias diferentes. Eu pensei: com esse meu tamanho, isso vai ser a morte! Não incluíram no Kit de Coleta o plástico para forrar o chão do banheiro e não há manual de instruções, então como diabos vou realizar essa árdua tarefa de tamanha complexidade?
Foi assim que eu me tornei um catedrático de bosta! Não vou dar muitos detalhes, porque ninguém merece!
Passei mão de um daqueles pírex de se colocar pudins e gelatinas subdivididos na geladeira. Na falta de um suporte adequado, posicionei o vasilhame meticulosamente na “saída” e mandei ver! Moderadamente, para não transbordar. Três vezes, em dias diferentes, com a devida lavação ao término de cada etapa. Espero que esta especialíssima receita, baseada na experiência de tanto manuseio de merda, seja de grade valia para os ilustres leitores.
Ainda bem que eu não como doces...