Pimenta no Sal dos Outros

Publicado na edição 075 do jornal Estado do Rio Noticias

17-Mar-2007

O primeiro ingrediente? É o sal ou a pimenta? Não, claro que não, é a paixão. Nessa fase, o rapaz precisa se exibir. Costuma subir em poste, de lá se jogar sobre árvores e se esborrachar na calçada. A moça fica doida de vontade de gargalhar, mas finge que nem liga, vai embora para casa. Mais tarde, se quiser mesmo a donzela, o idiota vai ter que escalar a parede do prédio (22 andares) pendurado numa corda, pensando se tratar das tranças da amada.

O segundo ingrediente é mais perigoso: a insanidade. O sujeito tem que se firmar como "Número Um". Compra um carro para ele mesmo, no crediário, e começa a convidá-la para inúmeros passeios. Claro que também pensa na dama, dá-lhe rosas, muitas rosas, todos os dias. Percebendo que romantismo não funciona, adquire outro carro para sua adorada, usando um cheque falsificado do seu pai. A concessionária pressiona e ela abandona o carro no estacionamento do shopping. O pai do cara, um pouco descontrolado, ameaça arremessar o filho pela janela, com uma âncora amarrada no pescoço, e tem que ser contido pelo corpo de bombeiros.

O terceiro ingrediente é o amor e os dois se casam. Certamente, ela maquinando sobre novos cheques falsificados do papai, que comparece à cerimônia amordaçado e preso (pelo saco) aos sinos da igreja. O padre advertiu que, ao menor indício de tumulto, haveria uma série de badaladas.

Por exigência dela, resolveram realizar uma longa e ampla reforma no apartamento de cobertura. O quarto ingrediente é um filho, um tanto suspeito, muito parecido com o pedreiro japonês...

E o último ingrediente? É o sal ou a pimenta?

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