Paqueras

Publicado na edição 114 do jornal Estado do Rio Noticias

01-Dez-2007

Era Carnaval, no Rio de Janeiro. Ele havia bebido um pouco além do suportável até para um estivador. Ela disse que estava fantasiada de baranga.

- Incrível, parece tão real! 

Ficaram a noite toda aos namoricos, com muito carinho! Falaram de marcas de cervejas, vinho doce, batatas fritas, do Latindo (com aquela pronúncia de pobre: “fazeno”, “bebeno”, “cumeno”, “já tô ino”...), da Ivete Sem Galo e do chão, que balançava. Ela disse que estava fantasiada de baranga.

- Fantástico! Tenho certeza que você venceria qualquer concurso de fantasias.

- Ah, não exagera!

- Mas é verdade. Onde você mora?

- Longe.

- Onde?

- Muito longe.

- Tá, mas onde? 

- No Piauí.

- Caramba, é longe! Vamos pro motel? 

- Não dá, se a gente sair daqui a parede vai cair...

- É mesmo. 

O baile acabou e foram expulsos do clube. Ela disse que estava fantasiada de baranga.

- Inacreditável, perfeita até sob a luz do Sol!

- Ah, não brinca... 

- Agora então vamos pro motel.

Ela foi ao banheiro, despiu-se, tomou um banho demorado, bebeu o líquido do frasco de fazer espuma na hidromassagem e deitou-se ao lado dele. 

- Ué, se você não tirar a fantasia, como é que a gente vai transar?

*   *   *

O sujeito era tabelião e, logicamente, tinha lá o seu cartório. Um certo dia esbarrou numa bela moça, em um “pub” luxuoso da Zona Sul. Ficou encantado e arriscou a cantada:

- Oi, gatinha! Você se parece muito com uma escrivã minha!

- Escrivaninha é a sua mãe, seu idiota!

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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