|
Papo de Jantar |
|
22-Jul-2006 |
Vó: Bem! O que é que estamos fazendo aqui?
Vô: Não lembro.
Vó: O que é esse negócio parecido com a miniatura de uma raquete empenada?
Neta: Vó, há muito que você não joga mais tênis. Isso é uma colher, a senhora mesma me ensinou que é o primeiro instrumento de utilidade que todo bebê aprende a manusear...
Vó: Bem! O que é instrumento? O que é utilidade? O que é manusear?
Vô: Não lembro.
Neta: Vovó, a colher serve para comer, olha aí a sopa...
Vó: Bem! Sopa, bem, o que é?
Vô: Não lembro.
Neta: Vovó, está na sua frente, dentro do prato, a sopa, vó!
Vó: Prato? Sopa? Isso aqui? Bem!
Vô: Não lembro.
Neta: Mãe, a vó tá passando dos limites!
Mãe: É a idade, filha.
Neta: Você também vai ficar desse jeito?
Mãe: Nunca se sabe, filha, é bem possível.
Neta: Ah, não, eu tô fora! Pra ficar assim é melhor morrer antes...
Mãe: Que é isso, filha, não tem vergonha de dizer uma coisa dessas na frente dos seus avós?
Neta: Olha só, a vovó está espirrando sopa pra tudo que é lado!
Mãe: É preciso ter paciência, você também já fez isso...
Neta: Paciência? E quem é que vai limpar toda essa lambança?
Vó: Bem! Lambança, o que é lambança?
Vô: Não lembro.
Empregada: Não lembra porque não é você quem troca suas fraldas, seu velho cagão!
Mãe: Ambrosina! Não fala assim com o papai!
Vô: Não lembro.
Mãe: Pai, pelo amor de deus, diz alguma coisa diferente disso!
Vô: Não lembro...
João Prista