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Mala Mela a Mula |
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09-Set-2006 |
Onze anos antes, os médicos diagnosticaram (ou seja, receitaram que, de dia, ele se tornasse agnóstico) que ele tinha estresse. Teobaldo não acatou tais conselhos, seguiu sua rotina desvairada e agravou a situação. Constantemente berrava com o cachorro ou com a empregada. Quase já não conseguia dormir, ou tinha pesadelos seguidos, absolutamente fora de controle.
A esposa Sofia sofria ("sou fria ou sou feia?") ao seu lado e acabava acordada por conseqüência. Naquela noite, mais uma vez, ele se debatia.
-
UÁAAAAAAÁ!
- Que foi, querido? Outro pesadelo?
- Esse foi horrível!
- Conta.
- Eu pousei a mala com os dólares no balcão da agência de viagem, para atender o celular, e, quando eu vi, ela havia sumido...
- Calma, é só um sonho ruim, volta a dormir.
Assim foi. Um tico mais tarde, ele se estrebuchava novamente.
-
UÁAAAAAAÁ!
- Calma, querido! Vai, conta, conta...
- Eu esqueci a mala com os dólares em algum lugar.
- Lembra, amor, apenas "bad dreams"... É o estresse, dorme!
Outra vez Teobaldo cochilou. Em dado momento, ele rosnava, gritava ou dizia coisas ininteligíveis, socava o colchão freneticamente, chutou a televisão, ela achou que seria melhor acordá-lo, antes que o corpo de bombeiros chegasse. Mas ele ficou possesso!
- POR QUE DIABOS VOCÊ ME ACORDOU! EU ESTAVA QUASE RECUPERANDO A MALA!!!