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Mágico |
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29-Jul-2006 |
Era o aniversário dele, que amava música clássica, que recitava poesias, que cultivava rosas, que adorava fazer crochê, que chorava com as novelas, que dançava balé. Usava sapatilhas até nas caminhadas! Sei não.
O nome dele era Cabral. Ela estava cega de amor, completamente apaixonada, precisava achar um presente original, inesquecível! Circulou todos os shoppings, nada parecia bom o bastante, nenhuma vitrine apresentava uma preciosidade.
Telefonou às amigas, descreveu seu amado: "ele é lindo, gentil, sensível, cavalheiro, o homem da minha vida!" Depois pediu palpites, que perguntassem aos namorados. Procurou na Internet. Nada.
De repente, ela passava em frente a uma loja de instrumentos musicais. É isso mesmo, mas qual? Um violão não é original, todo mundo tem. Piano não, não é portátil, quase nem cabe em lugar nenhum. Flauta é bem fácil de levar, mas parece filme de Walt Disney. Guitarra é muito barulhenta, bateria nem pensar! Comprou um oboé, o mais caro, para ter certeza.
Cada um que chegava na festa entregava o presente. Lenços, meias, camisas, cuecas, um cinto, um tênis com o número errado, uma bermuda cor de rosa, uma caneta com o nome gravado, agenda do ano que vem. Foi estranho ganhar uma gravata, jamais vestira um terno. Ele abria imediatamente todos os embrulhos. A namorada chegou atrasada, ofegante e feliz. Aquele era o mais pesado de todos. Que diabos seria aquilo? Embalagem fantástica! Como é que se abre? Claro, assim. Identificou que se tratava de um instrumento musical, só não sabia qual. Bobo é. Esboçou um sorriso amarelo de agradecimento. Original, inesquecível!
Mágico. Abra, Cabral dá.