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Febre Frenética |
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10-Mar-2007 |
42 graus. Não é o Sol, nem a temperatura de um paciente de meningite. É a febre da busca frenética por um aparelho celular mais moderno, aquele que ninguém tem, nem aquela perua da cobertura 01. Um que seja capaz de levar o meu Chihuahua para cagar na rua e ainda recolher os detritos embalados em sacos plásticos. Um que me informe não somente onde está minha filha, mas também o que ela tem nas mãos e tudo que esteja encostado nela. Um que não seja possível estar fora de área de cobertura, nem desligado, e me diga que bicho vai dar amanhã. Tecnologia é o cacete! Cadê o celular para surdo e mudo?
Os primeiros eram enormes, horrorosos e pesados, mas as ricaças adoravam. E nem era pelo dote, era porque, oh, falavam! Portáteis e falavam, imagina! Caríssimos, só podia ter um quem dispusesse de muita grana sobrando. Em dólar! Só eram vistos na Zona Sul. Desfilavam mostrando aquilo como relíquia, com aquela cara de "olha, eu tenho, você não tem, você não tem...", sabe como é? Hoje, caso um monstro daqueles fosse exposto assim publicamente por alguém, todos fugiriam dessa pessoa, taxariam de suburbana, chamariam a polícia, caso insistisse em se aproximar. Ou, como solução extrema, enforcariam ou queimariam tal criatura feito bruxa.
Um celular que possa tirar fotos, filmar, acessar Internet, isso tudo é coisa corriqueira, já se vê até nas lanchonetes de Cascadura. Eu quero mesmo é uma novidade, um que tenha, por exemplo, uma manivela pra gente rodar e chamar a telefonista...