|
Escombros de 2044 |
|
12-Jan-2008 |
Não vou revirar escombros de 2007. Não há nada lá que possa me interessar, gerar saudades ou que sirva para se fazer um sanduíche.
É preferível ignorar o passado recente, afinal já sou um pouco senil. Faço projetos a longo prazo, até agosto de 2044, quando o maldito coveiro irá me sepultar. Em Marte! É a morte.
Pra começar, vou aprender a escrever, pode ser que queiram publicar o meu livro. E iniciar minha criação de vaga-lumes. Preciso me prevenir contra o “apagão”! Ainda mais agora, que até o imposto permanente teimou provar que era provisório, contrariando todas as minhas crônicas sobre esse tópico ao longo desses últimos anos. Por isso mesmo não se deve revirar escombros.
Pra já, pretendo conter meus ímpetos de falar bobagens. E sonhar muito com a belíssima Marjorie Estiano, por quem me apaixonei ao assistir um DVD, onde ela cantava “Chiclete Com Banana” junto com o Gil. De momento (Marjorie este ano, percebeu?), a moçoila é o meu sonho de consumo! Que os céus me perdoem e que ela jamais encontre esta minha confissão.
Dizem que 2008 é o ano novo, mas sabemos que o tempo é cruel com todos, logo, logo será velho. Dia desses eu caminhava próximo a duas gatinhas, não pude deixar de escutar o que diziam. Uma delas, indignada, protestava:
- Fala sério! O cara é um coroa de quase 30!!!
Nesse exato instante, senti-me enroscado nas minhas próprias teias de aranha, vi a baba escorrendo sobre o barrigão e ouvi a Derci Gonçalves me chamando de “tiôooo”!
Não é uma boa idéia revirar escombros. É como revolver um vulcão extinto, estocar dinamite dentro do forno ou jogar metanol numa fogueira de São João. Pode acontecer de tudo, aparecer um rato, uma cobra ou um dinossauro! Ou até algo bem pior. Cá pra nós, você já teve sogra?