Cobaias Sem Ciência

Publicado na edição 121 do jornal Estado do Rio Noticias

26-Jan-2008

Depois de muitas hemodiálises e uma longa espera infrutífera na fila dos que precisam de um transplante de rim, morreu, de forma desumana, um amigo músico chamado José Roberto Viana. Quando comparecia aos eventos de Pristópolis (churrascos musicais), ele trazia uma parafernália repleta de novidades, entre instrumentos, caixas, amplificadores e outros apetrechos, e tratava de animar a galera logo assim que se empanturravam de carnes. Tal como em qualquer declaração póstuma, todos diriam que “era um grande cara!” Pra mim, realmente era. Caso queiram dar uma espiadinha (está na moda de novo!) no Zé, este link de Internet serve: http://hps.infolink.com.br/prista/evento16.htm (para quem não sabe, é o cara de camisa laranja). Foi a última Carnificina e Jam Session de Pristópolis, em Ago/2005.

Essa agonia da procura por órgãos compatíveis para transplantes apresenta facetas diferentes, dependendo de quem é o “agoniado” e de onde acontece. Alguns fatores também determinam o grau de emergência de cada caso. 

Quando o doente é abastado, torna-se prioridade máxima, nada que algumas dezenas ou centenas de milhares de dólares não resolvam. O preço vai depender das dificuldades apresentadas para a obtenção do órgão pretendido e da maleabilidade do comprador ao negociar.

Quando o doente é pobre, vai ficar na fila, sem direito a sursis ou a informações de quantos passaram-lhe à frente.

Essa procura desigual, dependendo de onde ocorra, pode gerar fatos hediondos. Nada impede que atestados criminosos acobertem a morte inexplicável de um “doador” saudável (ao dar entrada, por exemplo, com uma unha encravada) em um hospital público ou privado qualquer. Doadores previamente declarados e vivos são potenciais, já que significam sempre vários órgãos disponíveis imediatamente, todos em pleno funcionamento, bastando distribuí-los.

Essa atitude inescrupulosa, por incrível que pareça, existe e é denominada “Mercado Negro de Órgãos”. E agem como se humanos fossem camundongos a serviço da ambição, sem ciência.

Mas o Zé nem chegou a ter oportunidade de arriscar seu tão aguardado transplante. Não sei se há existência após morte, não entendo nada dessas questões, mas tomara que ele esteja tocando músicas em algum lugar desse universo!

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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