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Cadeira de Pau Duro |
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09-Jun-2007 |
Bethoven sentava na cadeira de pau duro. Isso porque ele era surdo - ninguém liga para surdos! - e os estofadores daquela época não se preocupavam com pianistas. Colocar o ouvido sobre a junção da tampa do instrumento, para sentir a vibração das notas enquanto tocava, era um exercício de fazer inveja a muita girafa! Comparando-se ao teclado dos computadores de hoje em dia, seria semelhante ao ato de apertar, simultaneamente, as teclas <Ctrl>, <Alt>, <Shift>, <F2>, 9, W, Z, P, M e S usando os dedos e, sem soltá-las, bater no <Enter> com o cotovelo esquerdo. Eu diria assim que algo parecido com os acordes do Tom Jobim. Mesmo diante de todas essas dificuldades, sua genialidade aflorava exuberante, sobretudo no
4o movimento da 9a sinfonia, a combinação mais sublime da simplicidade sobreposta, que jamais se refez neste planeta. No caso, essa composição aconteceu no dia em que a tampa de um piano de cauda desabou na sua cabeça.
Tantos outros compositores clássicos criaram obras soberbas, onde muitas vezes havia trechos de toques sutis, quase até inaudíveis. Essa parte da história da música aconteceu porque esses mestres não conheceram os engarrafamentos do Rio de Janeiro e seus motoristas insanos, nem as metralhadoras do morro do Borel ou o grito de gol do Galvão Bueno.
Hoje é usual encontrarmos amplificadores com mais de 1500 Watts e caixas de som da mais alta tecnologia para ouvir, na maioria das vezes, barulho, muito barulho! Tanto em casa, quanto no automóvel. É verdade que ainda ouve-se boa música em algum lugar, o diabo é encontrar onde. Em todos esses casos é necessário manter todas as janelas hermeticamente fechadas: no trânsito para evitar os assaltos e em casa para não ouvir os estrondos provenientes dos outros vizinhos cretinos. Ontem, por exemplo, a moça do andar de baixo (e que andar!) encontrou batom na cueca do marido. E o pior de tudo, que foi na parte de trás! Mas não foi possível saber o final da história, já que o cara do outro lado estava ouvindo Funk.
No meio desse caos, as pessoas não estudam mais música e os compositores, aos poucos, vão sendo substituídos pelos computadores, algumas vezes pelos filhos dos artistas ou de donos das emissoras de TV. Dizem que é porque não cabem mais os pianos de cauda em lugar nenhum e também porque ninguém mais senta na cadeira de pau duro...