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Banca do Kid Ney |
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18-Nov-2006 |
Nas manhãs de sábado, uma imensa fila se formava numa pequena cidade periférica ao deserto do Saara, chamada Cachoeiras do Macaco. O Jornal Ostra, da capital, fazia uma promoção, na qual o leitor precisava comprar todos os exemplares da semana, recortar os selos das capas de cada qual e fixá-los em uma cartela (que vinha na revista da edição de domingo), para obter uma miniatura de camelo, mediante pagamento de mais uma quantia.
Por não ser uma grande metrópole, o local contava apenas com um único posto de troca, a banca Oásis do Kid Ney, que ficava no camelódromo.
Percebia-se que vários ocupantes da fila de espera portavam mais de um exemplar do jornal. Um desses cidadãos estava orgulhoso segurando 6 desses debaixo da fedida axila. Considerando que ninguém lê a mesma edição em 6 cadernos idênticos e que o custo da miniatura do camelo seria inferior ao gasto para adquirir tantos jornais, mesmo que a criatura seja papai de 6 criancinhas adoráveis, isso ficaria com cara de insanidade mental. Objeto do desejo!
O cara, que trajava a camisa do Palmeiras, estava possesso! Esbravejava contra o absurdo, da falta de respeito com o povo Saradão (ou Saarense, ou Macacoano, quiçá?), que era aquela fila inadmissível! Mas não arredava pé dali, nem se fosse por duas odaliscas.
Há que se contar que havia uma diversão: os pombos do camelódromo defecavam na cabeça de um careca escolhido como alvo. Entretanto isso soaria como lorota, porque pombos não defecam, simplesmente cagam.
Para tumultuar de vez, acabaram as miniaturas de camelos. Os que continuavam na fila partiram pra briga. A reportagem do jornal daquele município (parece que patrocinado por uma farmácia - Estado Doril) chegou um pouco atrasada, mas registraram a ocorrência através de um colunista maluco, que presenciou toda a algazarra. O diabo é que ele era mentiroso, além de ter sido subornado, e não contou que a Ostra comeu os camelos...