Arte e Manha

Publicado na edição 100 do jornal Estado do Rio Noticias

25-Ago-2007

Beijar é uma arte, muitas vezes uma artimanha. Há vários tipos de beijos: beijo na mão, na testa, na bochecha, nos olhos, ou mais estranhos, como beijo na olhota. Beijos variados, vaiados, vadios, vazios, baldios, aplaudidos, sangrados, consagrados, sacramentados. Secos ou molhados. Beijo de direita, beijo de esquerda. O beijo inseticida, que mata de paixão, como que a um inseto bêbado. O beijo de esquimó, que vai tomar no iglu.

Anatomicamente falando, o beijo não existe. Não perante a convenção de Genebra. A língua tem um papel fundamental no beijo, porque é assanhada e quer sair da gaiola, ou se misturar com a língua de lá, ou jorrar saliva até que a respiração ofegante tome conta da razão de ambos, sem que percebam o ridículo, pois estão transando no banco da rodoviária lotada de gente.

O beijo de um casal de raças diferentes, esse sim deve ser preto no branco, até porque amarelo pode ser tártaro.

O diretor mandou repetir 67 vezes a cena do beijo, quando saiu perfeita o babaca do cameraman estava distraído com as coxas da perua e não registrou nada.

Não, os velhos não se beijam, se babam. Dois bicudos não se beijam, nem se picam, ou talvez.

Os piercings engataram, os dois ficaram presos pelas línguas e de bocas abertas, com os lábios grudados, narizes invertidos e olhos esbugalhados. Bizarro! A situação foi radiografada e não havia passagem até o ponto de engate, nem para um dedo mindinho. A equipe médica ficou reunida durante horas, discutindo quais seriam os procedimentos adequados.

O beijador é um peixe estúpido, mas não usa piercings.

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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