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Tradução Simultânea |
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20-Fev-2010 |
O gerente de sistemas, Josenildo Fagundes Sá, foi encaminhado para assistir uma palestra sobre Tecnologia de Ponta em Conexão de Computadores.
Chegando no congresso, constatou que o palestrante, John Anderson, era um americano.
Na entrada, aquelas moças gostosas ofereciam aparelhos de tradução simultânea, com fones de ouvido. Josenildo tem um inglês muito precário, porém jamais iria pagar o mico de aceitar um desses, imagina!, e admitir que não entende o idioma do Tio Sam. Qual é o gerente que não fala inglês?
Entrou no auditório, com pose de gerentão. Prestou a maior atenção! Gargalhou junto com a plateia, composta em 80% de pessoas usando fones nas orelhas, “provavelmente a ralé” – lucubrou Josenildo. Ele ria, claro, sem entender absolutamente nada, na verdade um pouco antes da maioria, junto com os 20% sem os tradutores nos ouvidos. Balançou diversas vezes a cabeça, em consideração às explanações ilustradas no telão e descritas pelo catedrático.
Já quase ao final da palestra, John escolheu Josenildo, que estava em uma poltrona de fácil acesso, no corredor, e o chamou para, juntos, exemplificarem uma situação didática preparada para ser apresentada por duas pessoas. Claro, justamente porque ele não usava os fones, logicamente falaria fluentemente inglês – pensou o palestrante.
Josenildo respondia “yes” a tudo que John dizia, feito atriz de filme pornô, sem fazer o menor sentido.
Envergonhadíssimo, até porque todos se esborrachavam de tanto rir, os com fones e os sem fones nos ouvidos, ele balbuciou:
- Sorry, I’m having shit!
...e saiu correndo do auditório, com a mão prensando os fundilhos da calça, fingindo que iria ao banheiro.
Uma das recepcionistas – a que conseguiu conter as gargalhadas – gritava:
- Senhor! Aí é a saída, o banheiro fica à esquerda...
Moral da história: “shits happen”.
João Prista