Que Cifrão

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

29-Ago-2009

O cifrão está na cara.

Eu tocava em um bar, que ficava na Barra da Tijuca. Raridade! Isolamento acústico perfeito, não havia como ninguém reclamar, nem a vizinhança, o som era impecável! Dava tesão trabalhar naquele lugar, que pertencia a um casal.

Ao sentar à mesa, o freguês ganhava (grátis!) uma tigela de amendoins apimentados, receita dela. Nunca vi igual, deliciosos, era realmente fantástico aquilo! Em seguida, geralmente pedia mais amendoins apimentados pagos, cuja porção era mais generosa. Funcionava bem isso. E comia, e bebia, assistindo o show da noite. No final, quando pagava a conta, era servido (grátis!) um macarrão ao molho branco, com parmesão de boa qualidade ralado (na hora, em uma máquina a pilhas, na mesa) pelo garçom. Excelente! Creio que todos esses requintes, a qualidade do som, a entrada e a saída, fizeram a fama e popularidade do lugar, que era comentado em vários bairros do Rio Bang City, até na Zona Norte. Desse jeito, faturavam os proprietários e pareciam felizes. É verdade, não eram barateiros, em compensação também não havia baratas no lugar.

Um belo dia, conheci outra casa, aqui mesmo em Cachoeiras de Macacu, que tinha o costume de oferecer amendoins (não posso julgá-los, nunca os comi) aos clientes, somente aos especiais. Talvez fossem ótimos. Claro, tanto os clientes, quanto os amendoins.

Quando entrava nesse lugar, sentia-me como se fosse um “barrado no baile”, eu não tinha o privilégio dos amendoins. Mas isso era porque eu não portava um cifrão estampado na minha cara, só aquele cheiro de forasteiro no ar. Tudo era caro por lá. Não sei quanto às baratas. O dono do estabelecimento mostrava a fisionomia de enfurecido, quando eu perguntava o preço de alguma cerveja antes de pedir. Afinal, só os miseráveis perguntam quanto custa. Mais tarde, soube que muitos não gostavam do tal sujeito e a casa faliu, com direito a fofocas sobre o canchudo e calotes vergonhosos. Sumiu!

Adoro amendoins. Mas creio que é melhor não comê-los. Fazem mal. Sei de um cara que tem muitos problemas por causa deles: o Superpateta...

João Prista

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

Página Principal de Pristópolis - abre novo browser