Pit Stop

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

05-Dez-2009

Fim de ano! Vamos fazer uma pausa. A vida está muito corrida, precisamos de um Pit Stop. Eu não uso pneus, não vão me trocar, certamente também não vão enfiar gasolina em mim. Eu acho.
O que você faz para descansar? Conversa com o papagaio? Pesca? Vai ao futebol? Curte um engarrafamento? Briga com a sogra? Academia? Culinária? Tricô? Interpreta Fígaro? Coitados dos vizinhos...

Férias é para quem tem emprego em empresa idônea, se é que isso existe. Aposentadoria, a gente sabe, é para vagabundo. Os demais precisam ralar muito para qualquer coisa que seja diferente de comer lixo dos outros. Claro, estamos nos referindo apenas à plebe.

Fazer uma pausa. Os músicos sabem muito bem o que é isso. Quando se planeja, não aparecem ideias possíveis de se concretizar no esperado momento de lazer. Impossível, ou quase. Eu quero uma mulher linda, para que eu me apaixone por ela, e burra, para que ela se apaixone por mim. Burra? Sei não se quero mesmo. Ficamos velhos e isso não acontece. Não vamos à Disney, nem ao Caribe, nem a Fernão de Noronha. Sem contar que tenho pavor de avião! Nem eu dentro dele, nem ele dentro de mim.

Pausa para pensar. Onde foi que eu errei? Quais as virtudes? Quais defeitos? Pra que esse casamento? E o ciúme? Como arranjar dinheiro? Que país é este? Onde vou morar? Por que eu não acerto na Loteria? Caramba! Por que diabos esse buraco na minha cueca?

Pausa para dormir. De preferência na mesa do bar, porque na cama já não tem graça. Restaurar as forças. Viver o mundo dos sonhos! Morar num iate repleto de mulheres maravilhosas, coçar o saco, nunca mais precisar matar baratas...

Pausa para procurar os amigos. Eles existem sim, eu juro, eu juro! Estão ocupados, a vida não está fácil para ninguém. Se não me ligam, certamente não há tempo, eu sei. Eu também estou assim, não ligo para mim, nem sei o número. Nem o meu...

Pausa para balancear os pinéis.

João Prista

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