Patéticos

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

11-Jul-2009

Quase todos os políticos pensam: “os otários não podem me denunciar”. Mas eis que aparecem aqueles que podem, surgem do nada e não aceitam subornos.

Há os que são coniventes e aliados, muitos têm medo e se calam, entretanto às vezes surge um maluco que apresenta a verdade e encara o risco de morrer. A TV mostra o que deixam e o escândalo pode durar alguns dias, enquanto for conveniente.

Essa convivência pública é administrada pela opinião, que nem o Futura admite que possa ser manipulada.

Não sei se você compartilha sua opinião comigo, se tem sua própria, se a exibe, se tem várias ou se muda constantemente de opinião. Será que os telejornais interferem? Até que ponto as escolhas são próprias? São pátrias? Qual é o seu papel na política? Você acha mesmo que votar é o bastante para resolver essa lama toda que se apresenta no país? Lama ou lema?

Para que se possa entender essa cadeia complexa, há que se analisar uma hierarquia, que basicamente começa nas lideranças das pequenas comunidades, no seu bairro, e termina em um fantoche, que diz que não sabia de nada sobre os esquemas corruptos da cúpula governamental. E ele nada denuncia, porque um herói morto não vale de coisa nenhuma. Faz o que considera ser possível fazer. Viaja. É acusado de ser o culpado de tudo que vai mal, mas não é o foco do problema. Fantoches são apenas manipulados. Ao contrário do que possa parecer lógico, essa cadeia complexa não dá cadeia.

Políticos estão espalhados, pelo mundo e pelo imundo. Uns falam japonês, outros inglês, francês, espanhol, português, alemão, ou “igluano”, já que ninguém mais fala aramaico. Em qualquer lugar, a eleição poderá acontecer amanhã, mas nada vai ser definitivamente resolvido, porque o homem não quer procurar a felicidade, quer ser soberano.

...sobre o que restar.

João Prista

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