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Palestras |
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08-Ago-2009 |
Palestras são peculiares. Vai que o mestre esteja meio sem jeito, então ele pergunta qualquer merda que vem à cabeça:
- Quem aqui, ao menos uma vez na vida, teve pai e mãe?
E quase todos, imbecilizados, assim como acontece nos shows musicais de hoje em dia, levantam o braço, alguns desodorizados, outros fedendo a trem da Central.
- Quem ainda tem pai?
E uma quantidade débil menor se manifesta, instintivamente. A pergunta pode realmente ser qualquer uma, desde que exija o exercício de apontar para o teto. Daí já foram gastos alguns segundos preciosos de alienação em massa, disfarçando a insegurança, momento propício para o palestrante emitir uma careta idiota qualquer e todos morrerem de rir.
Chegou a hora de iniciar (qual era mesmo o assunto?) a dita palestra. A primeira transparência está sempre invertida ou de cabeça para baixo. Nesse começo, tudo é explicado e pausado, com uma dicção contida de fácil reconhecimento. À medida que o relógio anda, o roteiro vai sendo abandonado, telas saltadas, em função do atraso iminente. O astro termina o discurso concorrendo a locutor de corrida de cavalos, dizendo: “obrigado” (essa é a dica de que terminou a xaropada), quando o público aplaude educadamente, independente do conteúdo apresentado.
Inicia-se a parte das “perguntas imbecis e respostas cretinas”, tudo isso rapidamente porque ta todo mundo babando de pressa para disputar, no tapa, um pãozinho de queijo e uma água mineral...
João Prista, palestrante inveterado, fez pós graduação e mestrado em babaquice, na Universidade de Pristópolis.
João Prista