Flauta Trágica

Publicado na edição 001 do encarte Caderno de Entretenimento

17-Mai-2008

Era uma flauta trágica, sempre que a tocavam, alguém morria. A primeira vítima foi o fabricante, que morreu de faringite, ou seja, soterrado em um galpão enorme de farinha. O instrumento foi-se perpetuando, tal qual a lâmpada de Aladim. Para aparecer o gênio, não era necessário esfregá-lo, mas sim levá-lo à boca. Bem mais esperto!

A sorte da humanidade é que quase ninguém sabe tocar flauta. O azar é que alguns aventureiros tentam fazê-lo, sem qualquer conhecimento. A música atual é assim. 

Também já não morria mais apenas um de cada vez. A flauta promoveu a primeira guerra mundial, a segunda, a bomba de Hiroshima, a derrubada das torres gêmeas, injustamente atribuída a um demente sanguinário. Fez o Brasil ser eliminado da Copa do Mundo três vezes pela França. Ultimamente, foi vista nas mãos de policiais, políticos, banqueiros, de bispos, cavalos e peões.

No show da TV, não mostram a flauta, parece até que ela é coadjuvante. Ficam acusando pessoas nobres, livres de quaisquer suspeitas, através de oratórias hilárias, cínicas e febris.

A flauta está ficando irritada. Da próxima vez que resolverem soprá-la, vai explodir o planeta! Flauta pouco.

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