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Esterco de Estorvo |
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09-Mai-2009 |
Sempre procuro me sentar na parte coberta do bar, mesmo quando não há ameaça de chuva.
Dois metros pra lá, havia uma mesa com cinco cachaceiros desagradáveis. E fumavam, todos ao mesmo tempo, sabe lá como achavam o caminho da boca ou acendiam seus cilindros nicotinosos esfumaçantes. E o vento, claro, vinha na minha direção.
Na primeira leva de cigarros deles eu levantei e fiquei zanzando fora do alcance da fumaça. Voltei assim que terminaram, mas acenderam imediatamente a segunda etapa de tabacos. Saco!
Noite agradável, céu estrelado, o jeito era me locomover para outra mesa disponível, que ficava debaixo da amendoeira. Contrariado.
Depois de me reacomodar, fiquei lendo o “Estorvo”, do Chico Buarque, acompanhado do meu fiel copo de suco de cevada. Não era mesmo o meu dia! O primeiro passarinho cagou no meu livro, o segundo na minha perna e o terceiro nos meus cabelos. Ou sei lá se era o mesmo maldito se divertindo às minhas custas, juro que não vi o cu de ninguém, somente o “produto”.
Gastei guardanapos de papel para limpar o que pude do livro e da calça, onde eu podia ver. Mas a terceira cagada em mim foi a morte! Não adianta querer explicar como foi que eu espalhei merda na minha cabeça. Espero não ter que confessar algum dia que foi por isso que fiquei careca.
Os cachaceiros fumantes se foram, felizes e drogados. Eu voltei pra mesa à prova dos passarinhos cagões, assim com aquela cara de bosta, que as outras pessoas identificavam sem dificuldade.
Entretanto há muito que se possa refletir a respeito desse acontecimento. Por exemplo, teríamos que os bêbados, geralmente, são chatos e os fumantes incomodam. Que não é aconselhável a gente beber cervejas debaixo de uma amendoeira. Também não convém mexer em merda que não se vê. Mas o principal aprendizado é:
Mais vale um pássaro cagão do que dois cavalos voando!
João Prista