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Confessionário |
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08-Ago-2009 |
Nada de nomes, Seu Padre. Esta é a nona igreja que me confesso de dois meses pra cá. Estou planejando matar meu marido, aquele estúpido idiota, que trepou apenas 3 vezes comigo nos últimos 6 meses. Mas comeu a Gorotéia, a Dretonilda, a Filonasta, a Risoméia, a Kronória e a Deconância, sei lá eu quantas vezes cada qual. Fora outras vacas, que não descobri. Claro que os pseudos das barangas são fictícios, nenhum babaca neste mundo conseguiria transar com tanta gente de nome esquisito. Pior que são todas lindas! Eu sou feia, merda! Mas sou rica, muito rica! Posso mandar enfiar um iate no cu daquele filho da puta! Sem sobrar nem a azeitona.
Durmo sempre antes dele chegar e fazer xixi na minha samambaia chorona. Acordo sempre antes dele vomitar no aquário, no chinelo ou no controle remoto. Preparo o café da manhã, ou da tarde, às vezes da noite. Não gosto desses afazeres domésticos, mas prefiro que os criados não o vejam derrubado, pega mal pra mim. Sinto ímpetos de por soda cáustica ou nitroglicerina na xícara, mas acho que seria muito menos que ele merece.
Pago todas as contas. Ouço ele dizer “bom dia, querida!” às 4 da tarde. Encontro estranhas calcinhas no porta-luvas do carro, no bolso do paletó, na mala de executivo (o calhorda nem sequer trabalha!), no congelador, ou com as escovas de dentes.
Fui passear em Las Vegas. Ele armou um telão no salão ao lado da piscina térmica, “para assistirem o jogo do Corinthians”. Todo mundo nu, umas 30 vagabundas, uma velhinha safada, ele e os dois amigos tarados. Cheguei antes do dia previsto, saíram todos às pressas. O jardineiro encontrou um consolo, nele uma dentadura cravada. Procurando melhor, achou aquela decrépita nua e entalada no basculante do banheiro dos empregados. Não conseguiu fugir, a maldita velha! Ainda bem que não vi essa cena dantesca.
Pensei arrancar-lhe o cacete enquanto dormisse, ou amarrar uma corda no seu saco, quando estivéssemos em nossa fazenda, com a outra ponta presa ao trator do arado. Ou contratar um atirador de elite, usando bazuca.
Acho que nada disso me deixaria satisfeita. Eu sou rica, a igreja precisa de contribuição, né Seu Padre? Eu tenho uma proposta: dá pra pregar esse cretino naquela cruz do altar? Seria só por uns 15 dias, garanto que ficaria bem realista, ninguém iria notar...
João Prista