Cantada Atônita

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

13-Dez-2008

Esse sujeito que vem aí tem cara de idiota, mas ele vai me dar uma cantada, tenho certeza! Tem o jeitão de quem vai dizer: “eu te conheço de algum lugar”...

- Oi, tudo bem?

- Tá sim.

- Olha, eu te conheço de algum lugar...

Eu sabia! O cara é um estúpido. Isso tá mais que manjado.

- Deve ser do piscinão de São Gonçalo...

Imagina, falei isso só de sacanagem, eu jamais fui nesse lugar tão popular. Vamos ver se o bobalhão se manda, depois dessa.

- Ah, então você se lembra de mim?

Oh, céus, não é que o maluco freqüenta mesmo aquilo? Eu sabia!

- Na verdade não, quem vai lá é uma amiga minha, que me falou muito de você, até me mostrou algumas fotos...

- Poxa, que máximo!

- É, você estava de ceroulas cor de rosa e havia um espanador preso entre as suas nádegas, eu não entendi muito bem o que era aquilo...

Será que ele vai se tocar?

- Caramba! Não me lembro disso, talvez eu estivesse muito bêbado...

- É, talvez. Lá vem o meu ônibus. Te vejo domingo no piscinão. Tchau.

- Gata! Gata! Vem cá! O telefone?

Eu não sei pra onde diabos este ônibus vai, mas vale tudo para ficar livre desse imbecil. Vou saltar no próximo ponto. Ah, não, lá vem outro cretino. Esse vai dizer: “olhei para você e fiquei apaixonado, foi amor à primeira vista”, aposto.

- Oi, colega! Imagina que um negão enorrrrrme estava me azarando, agora mesmo, e eu fiquei toda confusa. Saí correndo, peguei um ônibus qualquer, mas tô tão arrependida...

Ops! Desta vez eu errei. O cara é tão bonito, que desperdício! Mas não acredito que o espanador pudesse saciá-lo. Logo agora, que eu queria que a cantada desse certo...

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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