Bar Bão

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

14-Fev-2009

O banheiro é mínimo. Claro, só em casas sofisticadas investem nos banheiros. A princípio, já é um lugar nada agradável, mas tudo pode piorar. E muito! Às vezes há uma chave ensebada com a qual o freguês recebe a incumbência de abrir e trancar a porta nojenta.

Então mijam na tampa do vaso, no papel sanitário, cospem e vomitam nas paredes, alagam o chão. Quebram o espelho, roubam a lâmpada! Deixam a torneira aberta. Não há janela, de forma que, para ficar um pouco mais insuportável, fumam dentro do cubículo.

Quem está entrando sente vontade de não entrar, mas é uma pessoa “apertada”, não há outro jeito, o martírio é inevitável, vai se apertar no sanitário. Toda precaução é pouca, para não ser porca. Para não ser parca. Mesmo assim, é melhor não arriscar, a princípio nem respirar, porque o que se pretende fazer ali só vai agravar o “aroma” e é sempre uma sorte quando se consegue sair respirando depois.

Na época do romantismo, havia vários poetas de banheiros. Certa vez, li um que ficou gravado na memória:

“Nesta privada suja, imunda e indecente / Em vez de se cagar no vaso / O vaso é que caga na gente!” – portanto, jamais se espante caso veja alguém sair correndo pelado de um banheiro público, imagine o que faria se um vaso resolvesse cagar em você...

Hoje vê-se coisas do tipo: “escreva para mim: zedoboquete@provedortal.com.br”. É a era da Internet!

Freqüência estranha! Homens, cágados e cagados. É preciso, no mínimo, mais investimentos. Sei lá, máscaras, balões de oxigênio... No futuro, talvez seja permitida a eutanásia...

João Prista

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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