Baile em Braile

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

30-Mai-2009

A gente passa a vida procurando par. Vovó dizia que “devemos dançar conforme a música”. Ao que parece, o brasileiro está dançando às cegas. A globalização é uma besteira e ninguém percebe que não dá conta do seu quintal. As tribos de hoje brigam pela manutenção de monopólios. Só os caciques, porque os índios estão morrendo. Não se usa mais flecha, cupidos não existem e o par está ficando para segundo plano.

O rei humilde, que saiu do nada, virou rei por acaso, ou por conveniência, passou para o lado que está tudo, onde as regras são claras e não há muito o que se possa fazer. Apenas diz: “Já que os camarões estão à mesa, vamos comê-los!”

Se não podemos ver o que acontece, aproveitamos e ficamos também surdos e mudos. Porque representamos o que sobrou daqueles 3 macacos sábios. O importante é garantir a sacanagem.

A democratura também é transparente: o Partido Forte (PF) tem 99 participantes no congresso e o Partido Fraco (pf) tem apenas 1. Então 99% das verbas e dos horários disponíveis para se fazer campanha são destinados ao “PF”, enquanto o “pf” pega a bagatela de 1% desse bolo. Resultado disso é que o Partido Forte elege 99% do congresso novamente e nada muda. Igualdade nisso só que alguns conseguem comer PF num restaurante “pé sujo”, que vende comida + barata.

Claro, esquecemos uma mudança iminente. Embora se diga que política, futebol e religião não se deva discutir, o futebol anda elegendo alguns políticos e a religião muitos. De forma que, a longo prazo, será viável que o poder venha estar representado por uma mistura de jogadores religiosos com religiosos jogadores.

Não há diferença substancial nisso tudo desde a mais remota antiguidade. É possível que alguns de nós estejamos querendo realizar um grande baile na Torre de Babel lotada de bobos da corte e cegos oprimidos. Por enquanto, nosso ingresso só dá direito a frequentar o banheiro da festa...

Esse negócio de PF acaba dando uma fome!

João Prista

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