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Amigos Circunstanciais |
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03-Mai-2008 |
Marçal trabalhou 32 anos arduamente e dedicado à empresa, faltava pouco para se aposentar. Era conhecido de todos e admirado pela sua integridade, até na diretoria. O novo presidente da companhia entendeu que ele seria inútil aos novos rumos do conglomerado e resolveu despedi-lo sumariamente, apesar das súplicas de tantos. Assim foi.
O mundo havia desabado e Marçal não sabia o que fazer. Como iria sustentar a família? Estava velho para o mercado, certamente não conseguiria outro emprego. E agora?
Nos primeiros dias, manteve a rotina em casa, saía cedo, vestido como sempre, levando a velha maleta, a marmita, chegava de volta no mesmo horário. Jornais, entrevistas, tudo sem resultados. Até que começou a faltar a grana, surgiram as dívidas, a loucura tomou conta e suicidou-se, deixando um bilhete sucinto: “Sou um estorvo, estou me matando. Amo vocês! Adeus.”
Ironicamente, sem que se soubesse, o filho de Marçal cursou a faculdade, na UERJ, junto com o filho do presidente que o demitira. Foram amigos pra tudo e inseparáveis. Com a morte estúpida de Marçal, todos se revoltaram contra o presidente, no trabalho, em casa, até na imprensa. O todo poderoso continuou intocável no seu posto, entretanto sem moral.
O presidente queria se redimir, de verdade! Mas não havia como reverter atitudes drásticas, ou ressuscitar Marçal.
Em sua solidão cáustica, o presidente viveu cercado de estranhos interesseiros e prostitutas, algumas destas que lhe deram conforto e souberam perdoá-lo daquilo que não entenderam que houvesse acontecido, ou que tivesse feito.
Os filhos de inimigos circunstanciais continuaram amigos inseparáveis, como se fossem irmãos e apenas filhos de Marçal.