Alfinete Braile

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

19-Jun-2010

De repente, o cara tinha uma bolha enorme sobre o seu ombro direito, surgida do nada. Convivia com o pavor que aquilo esbarrasse no teto e explodisse. Ficaram todos abismados, chamaram os médicos, que chegaram dando ordens:

- Não toquem nele! Nem na próstata, tragam os balões de gênios, ou oxi, ou talvez uma artéria esclerose!

Logo ficou determinado que não era greve, era grave! Certamente diriam que ele teria que emagrecer, beber menos cervejas, ou fazer sexo só se fosse dentro do airbag!

Foi quando, do nada, surgiu outra bolha enorme sobre seu ombro esquerdo. Mais uma nas costas, nas nádegas, nas pernas, não podia mais andar, sentar, deitar, se coçar, nenhum movimento drástico, nem soltar pum. À flor da pele!

Apareceu um japonês catedrático afirmando que não haveria mais o que se fazer, o paciente era “apenas um bolha, no?”. Deveriam afastar dele agulhas e alfinetes, tudo que pudesse ocasionar a explosão daquela coisa.

Prontamente, seus inimigos vieram armados de agulhas, alfinetes e espadas! Acamparam na porta dos fundos, pediram pizzas e convenceram o pessoal do telejornal que eram bolhas perdidas. Ele aprendeu que ser um bolha não é algo assim muito seguro.

A questão seria: bailar, bilhar ou “bolhar”?

Ficou cego e foi obrigado a “brailar”.

Estava dormindo na placenta, mas era hora de acordar! Seria apenas uma bolha, alvo de gozações, pilhérias e ataques covardes. A qualquer momento, poderia explodir. Tudo escuro. Não havia como enxergar o perigo. Descobriram que se tratava de um estranho feto. Cesariana de alto risco! Assustou todo mundo, explodiu na hora do parto.

João Prista

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

Página Principal de Pristópolis - abre novo browser