608 Sabores

Publicado na edição 004 do encarte Caderno de Entretenimento

24-Jan-2009

Não há como traduzir essa humanidade, sentimentos, atitudes ou acertos. Os erros são mais fortes. O sofrimento não é proporcional à bondade, que muitos pregam e nada fazem, enquanto outros simplesmente praticam calados, de fórmula incondicional. Buscamos respostas onde querem apenas dinheiro.

Na maioria das vezes, estudamos aquilo que nos determinam. Ficamos sábios em nada, ou em absolutamente. Usamos 10% disso tudo e cagamos nas fraldas, na gênese e no holocausto. Cíclicos!

Desejamos um mundo melhor, que não sabemos como seria. Desconfiamos dos governantes, mas não temos idéia do que se possa exigir e que seja razoável. Somos muitos e semeamos baderna.

O vizinho é cretino. A moça do 102 é vagaba, aquele cabeludo é boiola e o síndico é ladrão. O zelador é fofoqueiro. Estão rotulados, porque a língua não cabe na boca e o macaco não vê o próprio rabo.

A solidão nos persegue ao travesseiro. Sucessos mentirosos de outros não nos parecem mentiras. Amigos apenas escolhem melhores momentos da gente, de preferência quando não temos problemas, ou ficam cansados.

Casais alternados, momentos eternos, filhos, fotografias. Criador e criatura, caminhos confusos. Relacionamentos dilacerados, ou carinho explícito, ou sexo asno. Tímidos, canalhas, românticos, céticos, de alguma forma, todos amam. 608 sabores de gente!

O objetivo de cada pessoa é a felicidade, que não pode ser alcançada, porque precisamos de objetivos. Esse alimento da vontade conduz o que chamam de alma, ou de ego, ou de ser. Ou descer para o inferno. Ou subir para o céu. Ou apenas comer a empregada e viajar para Cancun. Ou deixar de ter fome. Ou quem sabe onde fica a razão?

João Prista

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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