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2022 |
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22-Nov-2008 |
Brasil, 2022. Tecnologia avançada, em todos os lugares do mundo. Genética absolutamente controlada. Os bebês chegavam repletos de tatuagens e piercings escolhidos por Jesus, de acordo com a Igreja Universal do Reino de Dedos. Os que não estivessem dentro do padrão, seriam rejeitados pela sociedade.
Todas as crianças já nasciam neuróticas de guerra, quebravam os berços e atiravam as babás pela janela. Em vez de chorarem, mandavam os avós enfiarem as mamadeiras no cu!
As cegonhas não agüentavam mais o peso. Inocentes nenéns vinham com um kit de sobrevivência, um trezoitão e AR-15. Alguns, mais afoitos, traziam bazucas! Ou aviões de guerra. E muita munição.
Nasciam todos poliglotas, falando fluentemente inglês, francês, alemão, japonês e espanhol, além da língua da cidade nativa. Sábios em matemática, física, química, história, biologia, astronomia, astronáutica, política, economia e computação. Não assistiam TV, claro, também não iam à escola, só os CDF.
Chegavam equipados com sofisticado e poderoso controle remoto. Desligavam os pais até completarem maior idade. Isso, em geral, evitava que tivessem irmãozinhos, pelo menos nos casos que não viessem logo gêmeos.
Eram bebês “saradões”, levantavam, com facilidade, ônibus e caminhões, tanques e tratores, ou contêiners. Fumavam, bebiam e cheiravam, depois dirigiam automóveis e motocicletas. Já os mais abastados guiavam jatinhos, helicópteros ou foguetes espaciais. A brincadeira predileta era bombardear o Oriente Médio, mas também gostavam de incendiar favelas, tribos indígenas e destruir represas, para inundar a Argentina.
Por diversão, realizavam blitz clandestinas em todos os lugares, roubavam todo mundo, seqüestravam a metade e matavam apenas 30%. Os policiais estavam todos desligados.
As meninas queriam, porque queriam, aprender a fazer tricô.