História da Umanidade

Publicado no Jornal Cachoeiras edição 327

02-Mar-2002

Gêneses. O mundo inteiro era de Adão. Ave Adão! Só que Adão caiu da árvore e quebrou a costela. Foi então que chegou Eva, com aquela conversa mole: "benzinho, pega aquela maçã pra mim?" e o bobalhão aceitou a proposta. Fosse hoje, a gente diria: "pega você, eu já me estabaquei dessa maldita árvore!", mas aquele ainda era tempo de romantismo. Resolveram brincar de encaixar as peças em seus corpos, eles tentaram, porém perceberam que a maçã não cabia naturalmente em lugar nenhum. Enfiaram os dedos no nariz, na boca, não conseguiram enfiá-los completamente no ouvido. Havia uma folha de parreira (esse ainda não era técnico de futebol) que servia para esconder a flacidez. Ave Adão! Custaram muito, mas acabaram encontrando o caminho das selvas e dividiram a nova dinastia, Eva e Adão.

Quando o casal faleceu, já eram 6819, entre filhos, netos e bisnetos. Compreensível, afinal não existia TV e só faziam trepar. Abre-se um parêntese para explicar que, naquela época, não era pecado comer a irmãzinha, senão a humanidade não teria procriado. Eram puros, nada de advogados. Não havia, pois, quem procedesse o inventário, de forma que resolveram mesmo na base da porrada. Foi assim que surgiu a Reforma Agrária, com aquela velha conversa: "desde que seja no quintal do vizinho". Ih, temo que se aproveitem deste meu texto, só porque estamos em ano de eleição! Bom, devido às brigas, ninguém admitia que fossem parentes, surgindo desse jeito as famílias Silva, Souza, Smith, Takahashi, Caponi e Cardoso.

Não se esclareceu se Adão era preto e alguns descendentes foram clareando com o tempo, ou se era branco e outros foram escurecendo. Qualquer que seja a hipótese verídica, a metamorfose teria sido certamente obra do Sol. Verdade mesmo só que a gente nunca saberá como seria o mundo se Adão se chamasse Juaquim...

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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