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Festival de Música |
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06-Abr-2002 |
Festival de Música é coisa séria, sô! A Rede Lobo garantiu que haveria um desses, em Pristópolis, que acabou sendo realizado no já longínquo ano de 2000, para resgatar essa coisa de novos talentos, a voz da araponga, ou talvez o samba de caixa de fósforo. Haveria uma auditoria infalível, para fiscalizar a seleção das cantigas. Auditoria, conforme todos sabem, tem que entender de contabilidade. A máxima do contabilista diz que, diante da pergunta "quanto é 2+2?", contrata-se aquele que responder: "quanto o senhor quer que dê?" Ao que parece, pois, convocaram torcedores do América para servirem de jurados nessa fase. Quem mais seria capaz de sobreviver à audição de vários milhares de músicas ruins?
Entretanto a estratégia não deu certo. Seriam colocados em grupos de 10 à frente de cada auditor, com fones de ouvido (pronuncia-se "rédifones"), ao trabalho. Diante disso, tiveram que convocar também outras torcidas. A cada seção de 6 horas era necessário internar 9 dos 10 jurados de cada grupo, com crise aguda de esquizofrenia. O que escapava da internação ficava com sequelas irreversíveis, do tipo estrangular todas as pessoas que lhe dirigissem um simples "bom dia!" Houve uma situação mais difícil de contornar, quando um deles comeu o fone e partiu feroz para comer também o auditor. Foi finalmente contido (ou comido, sei lá) pelo segurança, que baixou o cacete naquele jurado, no bom sentido. Optou-se pelo plano alternativo, que consistia em classificar aquelas músicas cujos autores já haviam gravado previamente os CDs e filmado os clipes, nada mais justo, diante de circunstâncias tão imprevisíveis.
Outra coisa de suma importância cuidar seria a entrevista. Tudo precisava demonstrar a maior transparência, assim sendo, era preciso ensaiar bastante e só falar aquilo que já estava combinado. Tião Macaé, por exemplo, no dia da terceira eliminatória, resolveu gritar no microfone o que eu ouvi todas as pessoas não envolvidas dizerem, depois do evento: "ISSO ESTÁ UMA
MERDA!" Foi retirado do auditório, vestindo camisa de força, alçado por um daqueles guindastes próprios para levantar contêiners.
Portanto, depois de todo esse esforço de resgate, a música de Pristópolis está de alma levada, digo, alma lavada. O próximo passo dessa mídia será resolver o saneamento, a saúde, o transporte e a educação passando clipes do Big Brother, afinal nesta terra tudo tem que ser extremamente confiável...