Diário 01 de Um Desempregado

Publicado no Jornal Cachoeiras edição 325

09-Fev-2002

Sexta-feira. Depois de 10 anos no mesmo emprego, hoje foi meu último dia de trabalho e isso após cumprir a penitência do Aviso Prévio. Penso que nunca se deve obrigar ninguém a cumprir Aviso Prévio, nem mesmo se for o cretino do seu chefe. Passei o mês todo matutando no que iria fazer da vida, mas não houve conclusão. Fomos beber o chope de despedida e me deixaram a conta pra pagar, afinal recebi a grana da rescisão. Dormi na mesa e depois vomitei no garçom.

Sábado. Não tem graça acordar tarde no sábado, já faço isso há tanto tempo... O telefone não toca, é sinal de que todos já sabem da novidade. É preciso ficar em casa sempre, para não se gastar dinheiro. Na falta do que fazer, matei 16 baratas.

Domingo. Acordei meio dia. Resisti até 4 da tarde, quando a TV me venceu. Assisti futebol. Meu Fluminense perdeu, mas qual é a novidade? O telefone tocou. Era um telegrama fonado, dizendo que minha namorada se mudou pra Jamaica, para viver com Juçara. Preciso varrer as baratas.

Segunda. O micro do trabalho estava todo arrumadinho, o de casa está uma zona, o que me faz imaginar que eu já morava no trabalho. Comi um ovo cozido, as cutículas e o mouse. Os cachorros da vila ao lado latiram o dia todo, mas eu não tenho espingarda. O zelador do prédio bateu na minha porta, para que eu assinasse o livro de Natal. Minha teoria estava errada, às vezes é melhor sair de casa, para não se gastar dinheiro. Tive um pequeno descontrole e chutei a geladeira.

Terça. Resolvi checar o estoque de bebida da casa. Meia garrafa de Martini, meia de drinque (essas eram da namorada), 3 de vinho, 2 de vodka, 1 de licor e 1 de whisky. Matei as de vinho, as de vodka e abri a de whisky, mas não consegui levantá-la. Acho que sonhei que estava transando com a mulher do Popó. Acordei dentro do armário...

Acesso direto à página principal de músicas - composições de João Prista

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