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Terra |
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15-Nov-2003 |
Vejo pessoas agonizando. O mundo ficou cheio de regulamentos e os poucos privilegiados são os únicos que vivem com prazer. Os recursos ficaram escassos e o asfalto comeu os melhores sentimentos, sem maionese.
Não sei se ainda existem homens que não tenham documentos, onde vivem, de que se alimentam ou se poderiam viver desse jeito. As nações tomam conta dos ratos que nasceram em cativeiro, exterminam os brigões e usam os demais em nome da ciência. Fingem que os esgotos estão tratados e as galerias subterrâneas são asseadas, onde se pode até comer um pudim de chocolate com cogumelos no aniversário de Louis Lane. Dizem que não existem ratos ameaçando a humanidade, até porque a maioria dos que escutam essa justificativa não percebe de onde vem a ameaça. Aliás, nem se preocupam com isso, os ratos.
As cantadas originais estão cada vez mais raras, porque divulgam todas as outras na TV. O padrão é doutrinado e a família despida de valores, porque não há tempo a se perder com valores. Ninguém mais garante o futuro por ser médico, engenheiro ou advogado. O mundo tem muita gente, as faculdades andaram se parindo em grande escala e já existe muito disso por aí, médicos, engenheiros, advogados, um monte deles, todas as profissões, competentes e incompetentes. O importante mesmo ficou sendo encontrar uma fonte de dinheiro qualquer, não importa que objetivos pessoais sejam sepultados. Ou se a honestidade ainda existe.
Os amigos sempre foram raros, entretanto hoje estão quase extintos. Não há tempo. A atenção não tem o valor do diamante e os segredos acabam muito mais íntimos, na verdade não são partilhados, morrem mudos.
A cocaína e o homossexualismo encabeçam os prazeres que não devem ser experimentados. Mas há controvérsias. Armamentos variados são fabricados para atendimento à demanda ensandecida. Programas nucleares sigilosos e estratégicos ficam sem direção, pois não percebem exatamente o que querem. Chegar a Plutão? Bombardear os Orientais? A velha saga de acabar com as putas?
O sol está chegando perto, a camada de ozônio está perdendo a eficácia, alguns satélites podem se desgovernar a qualquer momento, a massa polar descongela aos poucos. Terremotos, vulcões, tornados, inundações e outras tempestades geram notícias, assim sendo, muita grana. Sabem disso. Gostam desse jeito, são notícias!
O medo de perder o emprego, da bala perdida, da traição, da solidão, de morrer e, na dúvida, todos grudam a bunda na parede. É a polícia querendo propina, é o assalto na próxima esquina. O imposto provisório vai virar permanente. O preço do que se tem que comprar amanhã é sempre maior que o salário seqüestrado. Ou um meteoro pode colidir com o planeta, sem aviso prévio, exatamente na sua cabeça, ou no dedão do pé, sem sobreviventes.
Por isso tudo, ficam carentes, descrentes, arredios, perplexos e hostis. As pessoas estão doentes, aglomeradas e sem perspectivas, mas fingem que está tudo bem, porque é social. Ao que me parece, o diabo de tudo isso é que o controle de natalidade ainda não interessa ao capitalismo...
Sei não, mas desconfio que estão escondendo alguma coisa na Eguinha Pocotó! A propósito: alguém aí sabe se Tutancamon usava camisinha? E supositório?