Tempo

Publicado no jornal Cachoeiras Notícias edição 283

18-Jan-2003

Fique sério, gaste um pouco do seu tempo, não se pode ler este texto levianamente. Preste atenção e boa leitura!

O maior investimento que existe chama-se Tempo. Não porque dizem que "tempo é dinheiro", mas porque tempo é tudo que temos. Nem sequer podemos contá-lo, nunca sabemos quanto tempo ainda temos. Como em todos os investimentos, existem os bons e os ruins. Fica claro que é fundamental a escolha cotidiana de que jeito gastamos nosso tempo.

O tempo é cruel porque não para. Não é possível "depositar o tempo no banco", garantir um futuro melhor. Não há como resgatar o tempo perdido, ou voltar para apagar desacertos. O tempo é apenas implacável.

Cada qual divide seu próprio tempo: sono, alimentação, higiene, estudo, trabalho, lazer, religião, emoção, sem ao menos perceber o que faz. É o passeio pelo shopping da vida, onde a unidade de troca chama-se Tempo. O homem, que fica velho e reclamando de tudo não se dá conta do privilégio por ter tido tanto tempo. E a memória é o acervo de lembranças, tudo proporcional ou proporcionado pelo tempo. Ou, repentinamente, esquecido, apagado.

Meu ídolo Saint Exupéry, em sua magnífica e irretocável obra "O Pequeno Príncipe", mencionou, no capítulo da raposa: "foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a fez tão importante!" Assim amamos nossos parentes mais chegados, amigos, amantes e até uma coisa ou hobby. Tempo, nosso tempo...

Às vezes não chegamos a tempo. Ou não estamos no momento. É o gol salvador no último minuto! Certamente, isso só acontece quando já fomos embora, fugindo da aglomeração da saída. É o tempo cronometrando recordes. Concluir o percurso no tempo necessário para se classificar para a olimpíada. 30 segundos exatos para este anúncio. 8 horas daqui até São Paulo, se não houver engarrafamento na Dutra. Quem nunca conviveu com aquela caganeira veloz, que não deu tempo?

Eu era o espermatozóide 7.642.116. E permitia essa liberdade, 16, para os mais íntimos. Leão. O 24 quase chegou na minha frente e eu seria veado. Ou ele seria, sei lá. Uff, mas foi questão de tempo, muito pouco tempo.

Um belo dia percebemos que esbanjamos muito tempo. Prometemos que vamos acertar a vida daí adiante, porém desviamos novamente tantas vezes mais. Vem a aflição de sabermos que uma hora lá a morte vai chegar, sem abertura para negociarmos prazos ou métodos. Simplesmente, fim do tempo.

Ei, você ainda está aí? Continua conseguindo ler? Que bom! Significa que ainda há tempo...

João Prista

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