Sonhador Coloquial

Publicado no jornal Cachoeiras Notícias edição 281

11-Jan-2003

Ilustríssimo mestre Milner Fernandes, algumas colunas atrás (nossas colunas são sempre atrás, pois não?, desde o Pitecantropus Erectus - antes as colunas ficavam por cima, eu acho), lamentou-se sobre a extinção de mais um idioma. Interessante a explanação, a lógica estava perfeita, o argumento fundamentado. Mas eu vejo isso de forma inversa: não seria mais razoável que tivéssemos uma única linguagem em todo o planeta?

Sinto o furor dos lingüistas! O pulsar da ira dos tradutores, a veemência dos patriotas, o ódio mortal dos... UUUÁÁÁÁÁÁ! ...e agora sinto esse punhal cravado nos meus testículos! Calma, calma, gente, eu explico, eu (DEVAGAR - meus pobres colhõeszinhos) explico...

Idiomas servem para a intercomunicação de seres. Não para vaidades, sotaques, guerras ou filmes. Não para que existam, sobrevivam ou façam história. Fazem sim, mas não é o objetivo. Quanto tempo você perdeu nas aulas de inglês, para dizer a mesma coisa de forma diferente? Pior que isso, quando se chega lá, percebe-se que não se aprendeu lhufas! Na terra dos gringos, o buraco é mais em cima, já que as mulheres são mais altas. Que tal você acha que seria se a gente pudesse viajar o mundo, entendendo prontamente todos os povos? Que legal, sendo compreendida da mesma forma! Imagine se este diálogo pudesse ser decifrado em qualquer lugar:

- E aí?
- É, brôw, e aí!
- Só.
- Fui...
- Demorô!

Claro, isso na língua uniformizada, que poderia ficar assim:

- Rai?
- Uga, gu, rai!
- Agá.
- Tecôôô...
- Auataiatá! 

Poético, musical, o máximo! É a juventude aplicada. Em se tratando de porra nenhuma, nada como absolutamente. É o sobrinho da Gorotéia conversando com o meu garoto. Esse filho drogado, que não aprende a falar, nem a escrever, nada que preste. Saiu à mãe, com toda certeza. E deve ter saído pelo buraco errado.

Concordo com John Lennon, alavancando sua idéia, suas palavras misturadas com minhas, quase que traduzindo: "Imagine um mundo sem territórios demarcados, sem países, sem guerra, nada pelo que matar ou morrer, nenhuma religião..."

...e um único idioma, para "descomplicar". Yes, I know, I´m a dreamer...

 

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